fechar

Resumo de novelas

MENU



Por que, apesar do bom texto Babilônia não empolga?

por: Adrien Carlos Duarte em Colunas e críticas das novelas
na data: 24/04/2015 | 09:45

A trama de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga está longe de atingir os pontos prometidos durante o seu promissor primeiro capítulo. A sensação que fica para o telespectador é de que as propagandas que alardeavam uma novela que tinha tudo para ser uma segunda Avenida Brasil não passaram de alarme falso.

Com três protagonistas fortes como Beatriz (Glória Pires) Inês (Adriana Estevez) e Regina (Camila Pitanga), um texto inteligente e afiado, e um elenco de peso, que inclui nomes como Fernanda Montenegro e Nathália Timberg, a trama tinha tudo para dar certo, mas não é isso que os índices de audiência e as críticas especializadas estão mostrando. Na última quarta-feira (22), vimos o que foi um dos melhores momentos em audiência na novela, quando ela atingiu 26 pontos de média - o maior índice desde o dia de sua estreia, quando chegou à casa dos 29 pontos. Cinco pontos abaixo de sua antecessora, Império.

De resto, nem mesmo as atuações brilhantes de Glória Pires, no papel de uma de suas melhores vilãs, Adriana Esteves - que ao contrário do que muitos pensavam, não está emulando sua última personagem marcante, Carminha - conseguem salvar a trama, que parece naufragar a olhos vistos. Medidas de urgência já foram tomadas na Rede Globo de maneira a diminuir a queda dos números, como duas mudanças na abertura do folhetim, mudanças na fotografia e a exclusão de tramas que poderiam gerar mais críticas negativas por parte do público, como alterar o destino da personagem Alice, de Sophie Charlotte, que se tornaria prostituta pelas mãos do próprio namorado Murilo, vivido por Bruno Glagliasso e a suavização do romance gay entre Estela (Nathália Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro).

Talvez a longo prazo estas sejam medidas que surtam algum efeito em termos de audiência, mas a situação é tão urgente que a Globo antecipou seus grupos de discussão sobre a novela, que costumam acontecer apenas por volta do capítulo 30, para o capítulo 15, para descobrir entre os seus telespectadores o que está e o que não está agradando na trama. Ou seja, medidas desesperadas para salvar o principal produto de mídia da emissora.

Uma das reclamações mais comuns, além das polêmicas que cercam o enredo todo da novela, é o tom escuro dado a quase todas as cenas, além da fotografia nervosa, com pouca estabilidade, que deixa quem assiste meio perdido em relação ao que está acontecendo na história. A fotografia de cinema, já tão largamente utilizada nas telenovelas da emissora, se mostra aqui uma desvantagem (vou voltar a esse assunto nas próximas colunas), pois se mostra muito pesada para o telespectador comum, ainda habituado à linguagem folhetinesca e não às séries americanas, que usam e abusam desse recurso.

As constantes maldades das duas principais protagonistas e uma Camila Pitanga interpretando uma personagem um tom acima do esperado também causam estranhamento, já que o alivio cômico da novela não se mostra capaz de suavizar a tensão causada pelas cores e pelo tom do texto.

Entre os trunfos, podemos destacar, é claro, o texto brilhante e realista do trio de autores, e as interpretações marcantes entregues por boa parte do elenco. Mas fica aquela reflexão que muitos já estão se fazendo: o telespectador deseja ver tanta realidade no horário? Falta um pouco de fantasia e ternura na trama das nove? Resta esperar pra ver o que os próximos capítulos - e números - revelam.

Cada ponto de audiência equivale a 67 mil domicílios na Grande São Paulo.


Comentários
TOPO