fechar

Resumo de novelas

MENU



Vamos descobrir Janete Clair?

Tenho um perfil no Twitter e, durante a exibição de Laços de Família no Canal Viva, percebi que grande parcela do público que acompanhava euforicamente a trama de Manoel Carlos torceu o nariz ao ver que a sua substituta seria Pai Herói, um clássico de Janete Clair.

A maioria desses espectadores deveria ser adolescente na época da exibição original da novela (2000/2001), alguns talvez nem tenham nascido. Ao sintonizar no canal de imediato se encantaram com os dramas cotidianos de Helena, Edu, Camila, Alma, Pedro, Íris e companhia.

Veja também: curiosidades sobre Cheias de Charme

Mas ainda me esforço a entender por que esse público que idolatrava os dramas do "Rei" Maneco, apelido carinhoso do autor Manoel Carlos, não se interessou a conhecer a trama da "Nossa Senhora das Oito" ou "Usineira de Sonhos", termo bastante apropriado, concedido à Janete pelo eterno Carlos Drummond de Andrade.

Não vem ao caso nesse momento discorrer sobre a importância de Janete na teledramaturgia nacional, isso merece ser assunto para um outro texto. No entanto é preciso ter em mente que ela é um dos pilares do folhetim moderno da Rede Globo no fim dos anos 60 e início dos anos 70, juntamente com Dias Gomes, então seu esposo, Bráulio Pedroso, Vicente Sesso, Jorge Andrade, Lauro César Muniz e Walter George Durst, isso para citar apenas alguns nomes importantes. Todos eles resultaram na hegemonia da emissora carioca durante esse período.

Pai Herói possui todos os elementos de sucesso (tramas, personagens, trilha sonora) que vimos em Laços de Família e que fazem falta na teledramaturgia atual. Porém, nos anos 70 não havia o desejo de que as coisas acontecessem na velocidade da luz. A narrativa de Pai é lenta (algo costumeiro nas tramas daquela época), mas Janete nos brinda com uma visão ampla de seus personagens. Enquanto a maioria das novelas atuais recorrem ao método de dividir suas trama em fases para contar a origem de cada personagem, a origem do conflito principal da novela, Janete faz o inverso: constrói sua história mostrando anseios, medos, fragilidades de seus personagens, canalizando ali os conflitos que iremos apreciar pelos próximos meses.

Mas não se engane, apesar de ser uma novela antiga (detesto usar esse termo, mas na falta de um adjetivo mais adequado), Pai Heroi é bem movimentada, quem está acompanhando assiduamente a trama no Canal Viva sabe do que estou dizendo. E a autora não economiza nos ganchos estratégicos para que o público fique na ânsia de saber qual será o destino de cada personagem no próximo bloco ou no próximo capítulo.

Outra coisa que os jovens que não acompanham a novela estão perdendo são os costumes de uma época na qual não havia celular e internet. A sociedade vivia de forma tranquila, harmoniosa. Era comum que pais e filhos sentassem na frente da TV da sala e todos juntos assistissem a um mesmo programa, ou que fossem a numa loja de discos comprar aquele LP do momento naquela e botar pra rodar no prato de uma vitrola Phillips. Ainda dá para ver a moda da época, mulheres de cabelos esvoaçantes ao estilo Farah Fawcett e homens usando ternos de cores berrantes, as estampas cafonas e os veículos da época, uma Nilópolis quase deserta. Tudo muito mágico e interessante.

Para não me alongar demais, um último motivo para descobrir o texto de Janete: O elenco e olha que não é qualquer elenco, cheio de carinhas novas e cheias de espinhas da Malhação, é um elenco de peso: Glória Menezes, Tony Ramos, Elizabeth Savalla, Dionísio Azevedo, Maria Fernanda (filha da poetisa Cecilia Meirelles e do pintor Fernando Correa Dias), Manfredo Colassanti (pai da escritora e socióloga Marina Colassanti), Flavio Migliaccio, Rosamaria Murtinho, além da estreia em telenovelas do Grande Paulo Autran, que na minha visão tem sua melhor atuação nessa novela como o mafioso Bruno Baldaracci.

Veja também: Vida de Hebe Camargo vira super musical

Ou seja, se todos esses motivos não forem suficientes para você jovem leitor dar uma olhada com mais carinho em Pai Herói no Canal Viva, só posso me compadecer por você, afinal não é todo dia que se tem a oportunidade de ver um clássico de tamanha proporção na telinha. Não apenas um clássico, é Janete Clair em toda sua essência.

Até a próxima!


Comentários
TOPO